Comentário especializado

Nótulas sobre nova intervenção dos EUA no Médio Oriente:

– A putativa perversidade da política, bem escondida pela capa da invisibilidade da diplomacia;

– O Irão muito bem defendido, do ponto de vista terrestre, pela sua geografia física. Com uma dimensão equiparada ao Reino Unido, França e Alemanha, também é um «gigante» populacional e com um efetivo nas suas FA de mais de meio milhão de pessoas;

– Se a geografia física é protetora, como se demonstra pelo relativo sucesso na componente terrestre, apenas pelo império Mongol, é simultaneamente rude relativamente às condições de habitabilidade; o terreno montanhoso é ditador ou pelo pelo potencia alguma falta de coesão, fragilidade que se mitiga, por exemplo, graças à religião; cumulativamente, a perceção ou a realidade de ameaças externas reforça tal coesão, fazendo com que se junte, aquilo que se encontra normalmente separado; não foi o mesmo na altura do feudalismo e das Cruzadas; e já agora, na Península Ibérica, quando é que os reinos cristãos se uniam?

– A importância das políticas internas e das consequentes agendas, nas linhas de ação externas;

– O poder funcional da localização iraniana à custa de Ormuz, gargalo excecionalmente importante em contexto do fator geopolítico/geoestratégico circulação (cerca de 17 milhões de barris de petróleo por dia em 2018, tendo em atenção que não estamos só a tratar de recursos energéticos)); de qualquer maneira a eventual dificuldade criada pela possibilidade do seu «fecho» ou ameaça de tal, afetaria o mundo na generalidade e, porventura, prejudicaria outros muito mais que o oponente norte-americano, pelo menos de maneira direta. Importa referir, por exemplo, que mais cerca de 80% do petróleo que por ali navega vai para Estados da Ásia, incluindo a China, o Japão e a Índia; não deixa de ser interessante dizer que a utilização da conduta/pipeline, em substituição da via marítima é possível, mas só dois países da região têm condições para o fazer: a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos e em quantidades menores que a «metade marítima»;

– Interessante o ataque ser efetuado no Iraque, local onde a cisão entre Sunitas e Xiitas se decidiu, prevalecendo os primeiros; regressámos à célebre batalha tida em tempos muito idos; Iraque que quase que funciona (ou funcionava) como território separador do Irão e da Arábia Saudita. Ainda dizer que Iraque fraco, promove um Irão mais forte e com maior configuração de domínio; é uma ponte com pilares mais robustos aquela que se faz com os aliados xiitas no Iraque e com as necessárias extensões à Síria e até ao Hezbollah no Líbano; estamos quase «a banhos» em virtude de termos chegado à costa mediterrânica.

– Os EUA têm todo o interesse em manter estável a região (de outra forma, como controlar o espaço eurasiático?) e, por conseguinte, não criar condições para o surgimento de uma potência hostil naquele espaço; em boa verdade, nem materializa vantagem que se veja, num Irão hostil; antes pelo contrário, como, de igual maneira, outros tempos o mostraram. Irão que encontra contrapoder na Turquia, curiosamente, sucedâneos de impérios poderosos (e o que isso significa), como o Persa e o Otomano, respetivamente e ambos, os sucedâneos, predadores do Médio Oriente (teremos que juntar Israel, Egipto e Arábia Saudita, julga-se).

– Envolvimento maior da NATO a pedido da superpotência…talvez para aquilo que se gerar fora do controlo;

– Mais sanções, agora, para serem aliviadas, para lá do dobro, depois. Retaliações iranianas, já, com oportunidade, multiplicando efeito do ambiente das cerimónias fúnebres, onde pereceram mais pessoas que aquelas potencialmente objeto de tal forte «vingança».

– A importância da dimensão militar do Poder;

– A importância da técnica e da tecnologia;

– Mas afinal o que se quereria dizer quando se afirmou (o Presidente dos EUA) das derrotas militares dos Persas. mas da sua mestria na ação diplomática?

 

 

 

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